Amy em entrevista para a revista Rolling Stones (2014)

A ENTREVISTA ABAIXO FOI FEITA EM AGOSTO DO ANO PASSADO.

Quando Amy Lee convidou a Rolling Stone para visitar sua casa no Brooklyn durante o mês passado, ela não sabia ao certo o que viria primeiro: a trilha sonora do filme “War Story” na qual ela esteve trabalhando por quase um ano, ou o bebê que estava esperando com o marido Josh Hartzler.

Acontece que seu filho, Jack Lion Hartzler, ganhou com uma diferença de um pouquinho mais de uma semana.

Lee se tornou mãe no dia 28 de julho, e em 6 de agosto ela anunciou o “Aftermath”, um álbum de músicas que ela gravou para “War Story” junto ao violoncelista Dave Eggar e alguns outros músicos convidados. O CD será lançado no dia 25 de agosto, e não é só o primeiro lançamento de Lee desde o álbum auto-intitulado do Evanescence em 2011, mas também seu primeiro trabalho como artista independente…o resultado final de uma ação judicial contra a antiga gravadora da banda, a Wind-Up Records.

Nessa entrevista exclusiva, a recém-liberta Lee fala sobre maternidade, declara sua independência e detalha o futuro do Evanescence.

 Você passou quase um ano trabalhando em War Story. Em quê essa experiência se diferencia de fazer um álbum do Evanescence?

Esse processo foi único até mesmo para a indústria cinematográfica porque foi super indie. [Dave e eu] tínhamos um relacionamento com o diretor Mark [Jackson], e ele veio e ouviu coisas e nos disse se estávamos ou não no caminho certo, e nós tocávamos e alimentávamos o trabalho um do outro. Foi realmente bacana começar desse ponto; é diferente de tipo, ‘Como eu quero me expressar nesse álbum?’. Ele providenciou essa estrutura, um mapa, de ‘Ok, eu quero que você faça o ouvinte sentir certas escalas de emoção, que faça o personagem se sentir quebrado ou isolado’. Você tem esses pontos de partida,e é bacana porque te força a escrever de maneira diferente. Eu senti como se estivesse exercitando uma outra parte do meu cérebro.

Como você descreveria esse filme?

Para mim, é algo muito obscuro. Nós demos o nome de “Aftermath” para o álbum em parte porque o filme em si é sobre um resultado, e não é sobre a guerra. Se chama “War Story”, mas você nunca vê nenhuma guerra. Se trata sobre o resultado da personagem lidando com a tragédia que ela presenciou. E então o álbum é a gente brincando com o resultado de fazer todas essas músicas. Provavelmente metade das canções não estão no filme, estamos apenas trabalhando nesse campo gigante e negro. Espero que vocês possam ouví-lo e sentir isso.

O que tinha nesse projeto que te atraiu?

Eu sempre quis fazer uma trilha sonora, mas é difícil encontrar a oportunidade certa quando eu tenho essa bagagem se já ser uma pessoa conhecida. Não me entenda mal, eu não estou reclamando e eu não vejo esse status como algo além do positivo, mas quando qualquer pessoa quer me usar, essa pessoa pensa em mim como uma cantora de rock ou uma cantora gótica, mas eu faço muito mais coisas do que apenas cantar! É difícil ficar tipo, ‘Eu quero menos, eu não quero ser o centro das atenções, deixem-me mostrar o que eu consigo fazer como programadora e produtora’. Sabe, algo além de apenas cantar a faixa-título. Então foi difícil encontrar o trabalho certo, mas esse filme se encaixou.

Você sente que é definida pelo seu passado?

Pessoalmente? Nem um pouco. Eu não sinto que sou duas pessoas diferentes. Eu nunca senti que estava interpretando um papel, você apenas muda. É engraçado, as pessoas ainda falam sobre “My Immortal”, e é ótimo, é muito legal, mas eu tinha uns 14 ou 15 anos quando essa música aconteceu. Quando eu compus “Bring Me To Life”, eu tinha 19 [risos]. Imagine as coisas que você pensava e o modo que você falava e as coisas que você fazia quando tinha 19 anos de idade. Até mesmo o modo que você processa os relacionamentos e tudo, as coisas mudam. Eu sou muito mais madura e complexa e tenho muito mais coisas a dizer.

Eu estaria mentindo se não admitisse que existem coisas no “Fallen” ou no CD que fizemos antes dele, o “Origin”, que me fazem encolher. É constrangedor. Principalmente o conteúdo das letras, oh meu Deus, é como se fosse o meu antigo diário. Mas eu consigo abraçar essa inocência porque eu nunca a terei de novo, então é especial.

No começo desse ano, você abriu uma ação judicial contra a Wind-Up Records. O que você pode nos dizer sobre os fatores que a levaram à essa ação legal?

Eu não posso dizer nada negativo; tive que assinar um contrato, então essa é a única forma pela qual ainda estou presa. Sempre existem frustrações quando você não está em total controle do seu projeto. Tudo é colaboração, tipo, é realmente tudo, até mesmo esse projeto, nós temos alguém que precisamos agradar, algo para o qual nós precisamos trabalhar, alguém que precisa gostar antes de funcionar. Mas, o que tem sido diferente nesse projeto é o quão criativo foi o processo…o diretor foi uma pessoa criativa, ele queria que nós fossemos o mais estranhos e criativos possível, deixou a gente fazer coisas do nosso modo e respeitou e apreciou isso, ao invés de ter um plano arquitetado que um milhão de pessoas já fizeram antes e nos forçar a ir por um determinado caminho.

Quais foram as ramificações da determinação?

Tudo ainda está igual para mim; não é como se eu não recebesse nenhum dinheiro quando alguém compra o “Fallen”, mas eles o venderam para outra pessoa. Meu catálogo é de propriedade da companhia Bicycle-Concord, e eles são ótimos, então não tem nada diferente aí. Mas o meu futuro é meu, então qualquer coisa que eu faça daqui pra frente está nas minhas costas, e isso é maravilhoso.

O que tudo isso significa para o Evanescence?

A situação é que não estamos trabalhando agora. Eu não gosto de fazer previsões sobre o futuro, porque eu honestamente tenho a mente aberta, e eu nunca gostaria de dizer que me cansei da banda, porque ela é grande parte de mim. Eu amei meu período com o Evanescence, eu não gostaria de apenas jogar tudo fora, mas, num futuro próximo, eu não tenho nenhum plano de fazer algo com a banda. É realmente importante para mim o ato de eu tirar um tempo para mostrar outros lados meus.

Eu já falei isso durante toda a época do Evanescence, especialmente nos dois últimos álbuns: “Eu tenho a liberdade de me expressar completamente dentro da banda, então por que eu iria fazer outra coisa?”. E até certo ponto isso é verdade, porque por mais que eu possa passar por uma ama de emoções, existe uma certa expectativa ali. Com os fãs, comigo, eu sei o que o Evanescence é, é uma entidade, é maior do que eu, e isso é maravilhoso, mas eu posso escrever uma canção e pensar, ‘essa é ou não é uma música do Evanescence?’, e as duas respostas possíveis podem surgir. Então precisa existir outros lugares para eu fazer música.

 Você começou uma família em Nova York. Como isso impactou a banda?

Isso realmente não é nada novo; nós sempre moramos em todas as partes. Eu não vivia perto deles quando morava em Los Angeles. Eu ainda converso com eles e nós ouvimos as coisas que cada um faz; o Troy [McLawhorn] está trabalhando em algo bacana que eu escutei num dia desses. Eu tenho mais contato com o Tim [McCord] e com o Troy, mas eles não estão aqui, estão por toda a parte, em diferentes cidades.

Você parece firmemente impregnada em Nova York.

Eu amo esse lugar. Eu já morei em muitos lugares, mas esse é o primeiro lugar que parece realmente ser meu lar desde que eu era uma garotinha no sul da Flórida, aqui é onde eu não sinto que sou diferente das outras pessoas ao meu redor. Nós temos uma boa comunidade aqui, muitos músicos bons. Tudo está disponível aqui, nada é muito fora do comum e tem música em todo canto. Eu me inspiro o tempo todo quando ano na rua. Eu sinto que eu moro em um lugar muito artístico, e isso é realmente bacana. Eu ando de metrô o tempo todo, e eu não tenho carro.

Como a ideia de maternidade mudou sua visão de mundo?

Eu não sei por onde começar. Eu estou animada porque, conforme você fica mais velho, não é como se não houvessem coisas bonitas ao seu redor, você apenas já viu muita coisa. Você chega ao ponto onde sente que já teve todas as suas ‘primeiras experiências’, mas eu realmente estou ansiosa para experimentar todas essas coisas de novo, como se fosse minha primeira vez, através da mente do meu filho.

Isso mudou sua visão sobre o que você faz profissionalmente?

Sim. Eu sou uma artista, nunca vou parar de ser eu mesma e eu não acho que eu conseguiria deixar de fazer música. Você não consegue mudar tanto assim; eu ainda serei eu e a vida vai apenas ficar mais rica e cheia e ocupada. Mas eu acho sim que os dias de cair na estrada e fazer o ciclo de um álbum e trabalhar no estúdio por seis meses e depois cair na estrada por um ano ou dois…essas coisas ficaram para trás. E não se trata só de ser mãe, eu só não quero viver na estrada. Eu tenho a habilidade de apenas fazer algo e disponibilizar, e não precisa ter 12 músicas. Não precisa ser um CD completo, como antigamente. É legal pensar nas coisas de uma nova maneira. Eu acabei de escrever uma coisa muito legal, então como eu posso dá-la aos fãs nesse exato momento? Não precisa ser algo grande e assustador.

Parece que você está disposta a sacrificar o ganho comercial em troca da felicidade.

Oh, eu estou disposta há muito tempo. Eu acho que eu não sou como todo mundo. Até mesmo a música para qual eu tendo gravitar…Eu não estou ouvindo a coisa mais popular. Eu acho que sempre fui assim. Eu dou muito valor para um bom trabalho, boa música, coisas que realmente me tocam. Muito mais do que sucesso ou fama. Sempre dei.

Com esse fim, o que você espera alcançar com o Aftermath?

Honestamente, vai soar estranho, mas eu só estou ansiosa para compartilhá-lo com o mundo. É simples assim. Eu não tenho grandes expectativas, porque é um projeto incomum. Sempre que eu lanço algo novo, a sensação é maravilhosa, e eu sei que eu tenho fãs por aí que vão gostar de tudo. Estou animada com a música “Lockdown”. Estou muito ansiosa para ver o que os fãs vão achar dela, e estou animada também com “Push the Button”. Estou animada com toda a trilha sonora, com os meus fãs, e animada para mostrar às pessoas algo que elas nunca ouviram antes.

Fonte | Tradução e Adaptação: Equipe ALBR.
Não reproduzir sem os créditos.

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