Amy Lee fala sobre trilhas sonoras, coreografia de CMWYS e Danny Elfman em entrevista para a Rolling Stone

Embora o futuro do Evanescence pós Ozzfest ainda esteja no ar, Amy Lee se mantém ocupada mergulhando fundo no mundo das trilhas sonoras. Depois da colaboração de sucesso com Dave Eggar na trilha original do filme War Story, do diretor Mark Jackson, a dupla se reuniu com Chuck Palmer para criar uma trilha sonora para o curta metragem Indigo Grey: The Passage. O curta vencedor de prêmio, dirigido por Sean Robinson e disponível atualmente, é uma aventura de ficção científica que segue um jovem garoto interpretado por Aidan Lok, e que conta com a trupe de dança neo-irlandesa Hammerstep. Lee conversou com a Rolling Stone sobre criar músicas para o filme, sobre idolatrar Danny Elfman e a razão pela qual coreografia é algo “anti-rock”.

– – –

Como você e o Dave Eggar começaram a trabalhar juntos?
Dave e eu já trabalhamos juntos há 11 anos, na verdade. Eu acho que tudo começou há muito tempo, quando nós íamos fazer algumas versões acústicas das músicas do Evanescence pra mim, e nós começamos a trabalhar com isso e tivemos uma conexão criativa muito boa que ia além de apenas tocar as músicas nas quais estávamos trabalhando juntos desde então. Nós trabalhamos juntos em performances acústicas e coisas desse tipo, e tudo foi além disso nos últimos cinco anos, mais ou menos. Dave é super conectado, faz um milhão de sessões por dia – insano – e toca com uma grande variedade de artistas ao redor do mundo, então eu me sinto realmente sortuda por conhecê-lo e por ter sua amizade e respeito, porque ele me liga para dizer sobre essas oportunidades realmente legais e fora da caixinha às vezes, e eu não acho que ficaria sabendo delas se não fosse por Dave.

Como vocês dois se envolveram com Indigo Grey?
[Dave] já tinha trabalhamo com eles, e eles eram amigos. Na verdade, isso começou em 2013 quando um dos pedaços da música dentro desse filme Indigo Grey foi escrita. Ele me fez ir ao estúdio porque o Hammerstep estava trabalhando em uma nova dança e eles queriam um trecho de música original. O Dave falou tipo, “Hey, Amy, venha ao estúdio, ouça isso aqui e veja se você pode ajudar a fazer algo. Pode ser maneiro.”

Então eu fui ao estúdio e, honestamente, tudo começou com a dança. Eu fiz com que eles me mostrassem como era a dança. Eles me mostraram, e o modo como dançam é muito rítmico e percussivo, e é música de verdade – faz um barulho quando eles fazem aquelas coisas com os pés e com as mãos e com o corpo. Então eu fiquei tipo, “Eu sinto que o melhor jeito de fazer isso é se você, Garrett [Coleman, um co-fundador do Hammerstep], entrar na cabine de voz e apenas ligar o microfone e gravar você dançando”. Eu construí a música ao redor disso. A canção se chama “Resurrection”, e está no meio do filme. Foi construída com sons vindos do corpo deles. Nós chamamos de batida corporal. A gravação ainda está lá, e é meio que o centro da música, o que eu acho realmente bacana. É divertido assistir a dança em casa, e conforme os pés deles batem no chão, eu fico tipo, “Coloquem uma batida de bateria aí”. É um modo divertido de construir uma música e, definitivamente, também é incomum.

Essa sessão no estúdio foi seu primeiro encontro com o Hammerstep e com a dança neo-irlandesa?
Eu já assisti Riverdance, mas eu sei que não é o que eles fazem, mas sim de onde eles vêm. Eu sou familiar com essa parte do estilo deles, e claro que eu já vi danças de hip-hop anteriormente. O que eles fazem é realmente legal, e eu não acho que o certo é ir para longe disso; eu acho que o certo é aumentar o que eles fazem, deixando mais impactante. Eu espero que tenha sido isso o que conseguimos.

Você tem trilhas sonoras específicas que ama?
O Estranho Mundo de Jack é uma. Na verdade, em um nível menos musical, Edward Mãos de Tesoura foi algo grande pra mim. Tem umas trilhas sonoras realmente lindas do Hans Zimmer, claro. Eu realmente amo a trilha de Inception. Eu a achei realmente incrível.

O que te fez ir em direção ao mundo das trilhas sonoras?
Eu gosto desse mundo desde antes de lançar meu primeiro CD. Na verdade, quando eu estava no ensino fundamental, meu primeiro grande sonho era ser compositora de trilhas sonoras. Meu maior ídolo era o Danny Elfman, e eu queria fazer isso. Eu sinto que escrever música é um mundo por si só, e eu obviamente fiquei presa nesse mundo. Mas quando você se enfia em uma situação onde você pode ser parte de algo ainda maior que estimula o áudio e o visual, isso te dá o potencial de fazer algo maior do que você poderia fazer sozinha, sabe? Eu gosto de fazer música e apenas focar no som, mas quando eu tenho a oportunidade de trabalhar com alguém onde exista outra plataforma, seja um filme ou uma dança ou qualquer outra coisa visual, é maravilhoso.

Eu sempre gostei muito de fazer nossos clipes pela mesma razão. Você meio que cria um mundo todo que estimula mais sentidos, e isso é definitivamente algo que eu sempre quis fazer, e eu sinto que eu estou em um ótimo lugar atualmente porque estou tendo mais oportunidades de me envolver em trabalhos de trilhas sonoras.

Essa sua menção aos clipes me fez lembrar de como eu me sinto sempre que penso no vídeo de “Call Me When You’re Sober”, do Evanescence, e na coreografia na última parte dele.
É!

 

A coreografia é algo que você pensou enquanto escrevia a música?
Normalmente, não. Quando você passa toda a sua carreira em uma banda de rock, você não pensa em como coreografar movimentos de dança. Isso é meio que anti-rock. Então não, não normalmente, mas isso é legal pra mim porque definitivamente é algo que eu nunca fiz. Quando gravamos o clipe de “Call Me When You’re Sober”, eu lembro de falar com o diretor; o diretor foi o Marc Webb, na verdade. Ele é maravilhoso. Eu me lembro de quando o gravamos, e ele falava tipo, “Beleza, eu tenho uma ideia sobre a coreografia. Você estaria de boa com isso? Você não vai estar, tipo, dançando. Você só vai descer as escadas em tempo, e vamos ter algumas garotas dançando em volta”. Ele realmente desenhou a cena para mim, e eu fiquei tipo, “É, isso é ótimo – isso é realmente bacana!”. Você meio que chega a um lugar onde fica confortável fazendo o que você faz; você fica confortável com a mesma fórmula e isso fica chato. E eu fico entediada meio que rápido demais, e eu preciso constantemente sentir que estou fazendo algo que nunca fiz antes.

Fonte | Tradução e Adaptação: Equipe ALBR.
Não reproduzir sem os créditos.

Comentários no Facebook
1152 visualizações no total 2 visualizações hoje