Amy Lee fala do Recover 2, antigos membros do Evanescence e Dream Too Much.

Mais uma entrevista. Dessa vez, a Amy bateu um papo longo e sincero com o site Radio sobre inúmeros assuntos – dentre eles alguns mais polêmicos, como seu relacionamento atual com os membros antigos do Evanescence. Leiam a tradução abaixo.

Ziggy Marley, They Might Be Giants e Dan Zanes (dos Del Fuegos) já fizeram isso e Amy Lee, vocalista do Evanescence, está vadeando na piscina infantil das músicas infantis. Ele acaba de lançar Dream Too Much, uma colaboração entre seu pai e outros familiares, contendo músicas de autoria própria (como a música-título) e alguns covers clássicos (“Stand By Me”, “Hello Goodbye” dos Beatles, “Rubber Duckie” da Vila Sésamo). Ela ficou animada para falar com a Radio.com sobre o projeto, mas também estava decidida a comentar a sua carreira solo e (meio que) o futuro do Evanescence.

Fale a respeito da decisão de fazer um álbum infantil e de gravá-lo com a sua família.

Bom, eu tenho um filho de dois anos chamado Jack. Ele é incrível. E as músicas só vinham, só de falar com ele e ouvir as coisas engraçadas que ele diz ou de vê-lo se interessar pelas coisas.

Além do mais, eu queria gravar um pouco com o meu pai, que é músico. Queríamos meio que fazer só um pouco de música para a família, e a primeira sessão que tivemos foi tão boa entre mim e meu pai e meu tio que adoramos.

E me sinto em qualquer domínio quando começo a fazer algo criativamente e parece que estou surfando no topo de uma onda, está dando muito certo que preciso seguir em frente. Então, trouxe minhas irmãs, envolvemos mais da família e focamos em compor novas músicas e fazer um disco completo. Eu amei. Estou tão orgulhosa dele.

Quando a Amy Lee do Evanescence entra em um escritório de uma gravadora, tenho certeza de que a primeira coisa que estão pensando não é “músicas infantis!”

É engraçado, essa foi a parte fácil. Bem, eu sou uma artista independente agora, então tenho vivenciado muitas coisas. Estive fazendo música para trilha sonora e um pouco de material solo, alguns covers legais sozinha e trabalhando em novas coisas para o Evanescence também.

Ao mesmo tempo que começamos a gravar isso, meu novo empresário disse, “Ei, a Amazon está meio que interessada em fazer um álbum infantil com artistas legais. Você estaria interessada em fazer isso?”

E eu fiquei tipo, “Na verdade, já começamos. Eu adoraria fazer isso”. Funcionou de uma forma mágica. É incrível.

Evanescence tem sido incrível; tem sido um presente e um lugar muito legal para me expressar e criar, mas não é o indicativo absoluto de quem eu sou. Portanto, estou sempre morrendo de vontade de ver uma oportunidade para flexionar uma parte diferente e fazer algo diferente e trabalhar fora da minha zona de conforto, não somente a minha própria zona de conforto, mas a zona do que as pessoas pensariam, “Nossa, eu não imaginava que a Amy Lee faria isso”. Eu adoro surpreender as pessoas.

Então, embora você seja a “Amy Lee do Evanescence”… para seu pai, você é a filha dele. Como foi isso quando vocês entraram no estúdio juntos?

É engraçado. Não importa o quão velho você fique, sempre que você está entre seus familiares, você volta a ter 16 anos de novo. Então com certeza é uma situação diferente estar no estúdio com ele, pois estou muito acostumada a ser a líder e a chefe. Eu mandava nas pessoas… mas elas trocaram minhas fraudas, colocaram-me de castigo e me mandaram pra cama sem jantar. É meio hilário, sim. Divertimo-nos muito.

Como você escolheu os covers presentes no álbum?

“Rubber Ducky”, eu cresci com essa música. Essa é uma música favorita na hora do banho; meu pai tem cantado essa música para mim e meus irmãos desde sempre. O mesmo aconteceu com “Goodnight My Love”. Essa era a primeira música que eu queria gravar. Era a nossa canção de ninar. Ouvi essa música um milhão de vezes enquanto crescia. Foi legal ser capaz de não apenas gravá-lo fazendo isso, mas sim gravar juntos.

Alguns de seus covers me remeteram um pouco a Tori Amos; quando ela faz o cover de uma música, ela faz dele uma música dela.

Ah, obrigada. Ela é uma grande inspiração para mim tanto quanto covers. Ela fez alguns covers muito bonitos, e um que mais me impressionou foi “Smells Like Teen Spirit”. É tão incrível, pois é muito diferente do original. Está completamente quebrado, tipo tirar aquela grande agressão e diminuí-la para a coisa mais vulnerável e íntima.

E eu nunca foquei na letra até depois da morte dele e depois ouvir a música nessa forma tão íntima no piano foi assombroso. Eu amei. Grande inspiração. Eu amo a Tori Amos. Obrigada por tocar no assunto.

Um projeto como esse é provavelmente muito diferente para você.

Acho que sim. É o que liberta a sua cabeça para voltar a coisa que todo mundo está esperando, ou tendo uma expectativa, ou algo assim. Se você puder ir em outra direção primeiro e totalmente libertar a sua cabeça e não sentir como se fosse uma obrigação, como se fosse trabalho, como se tivesse que voltar e fazer isso. Tipo, “Não, eu vou fazer o que quiser” e depois você naturalmente acaba lá porque é o que você é.

Eu sou roqueira. Sinto que isso é um pouco diferente se você estivesse no olho do público, a maneira que pop-stars e atores e atrizes são. Mas até a quantidade de fama que temos, sobe na minha cabeça às vezes. Tenho que fugir de estar no centro das atenções. Não é natural, então me ajuda a ser capaz de sair dos holofotes, lembrar quem eu sou, viver a vida, ter experiências e depois ficar pronta pra isso de novo.

Então, acho que a música “I’m Not Tired” é sobre seu filho não querendo ir dormir?

Sim. Eu amo “I’m Not Tired”. Essa é a mais cômica no álbum, eu acho. É tão verdade. Tudo menos uma soneca, qualquer coisa no mundo menos ir dormir. Existem fases, com certeza. Estamos em uma fase um pouco melhor agora, bate na madeira, com o Jack, mas existia uma época em quem ir dormir era a coisa mais difícil, levá-lo pra dormir.

Eu tenho que perguntar sobre a clássica “Rubber Ducky”.

“Rubber Ducky” é da Vila Sésamo; O Ênio cantando “Rubber Ducky”. Essa foi a primeira vez que meu cantou essa música sem fazer a voz do Ênio, na verdade. Eu falei pra ele, tipo, “Beleza, para essa música quero muito fazer ‘rubber ducky’, tudo bem? Tudo bem. Mas a coisa mais importante é que quero cantá-la na minha voz, sem a voz do Ênio. Porque isso já foi feito; temos que fazer da nossa maneira”.

Quando as pessoas pensam nos Beatles e em música infantil, elas geralmente pensam em “Octopus’s Garden” ou “Yellow Submarine”, mas você fez o cover de “Hello Goodbye”.

Existem tantos pequenos conceitos que nem pensamos porque se aprende quando se tem dois anos e depois nunca pensa nisso de novo. E “alô” e “tchau”, tipo atender o telefone e desligar, e como o telefone funciona, é uma coisa que você tem de aprender e ter interesse em algum momento. O Jack estava num momento em que ele pensava que era algo legal e estava aprendendo a atender um banana ou um brinquedo e falar, “Alô? Alô? Tchau!” e depois desligar.

“Dream Too Much” parece uma música muito sincera.

Ela surgiu comigo sentada na sala com um violão e o Jack, novamente, correndo em círculos feito louco e falando combinações de palavras que eram muito engraçadas, dizendo coias que eram muito engraçadas, não fazendo muito sentido. Então ele disse, “There’s a monkey in the band” [Tem um macaquinho na banda]. Tipo, “Monkey in the band”. E eu olhava pra ele, e estávamos brincando, e eu tipo [canta], “There’s a monkey in the band”.

Foi muito legal ser inspirada por um nova mente em crescimento e vê-la ser inspirada pelas coias, e você pode meio que compartilhar essa combinação e falar, “Ah, você gosta disso? Vamos falar sobre abelhas, então. Vamos falar como abelhas são legais”, e tipo, “Deixe-me cantar pra você”. E chegamos ao ponto em que estamos falando sobre a mesma coisa. Então, essa música foi muito divertida, porque eu de fato usei as palavras do Jack, e isso se tornou um joguinho legal. Fiquei animada pra mostrar essa par ele assim que fiz a demo dela, pois eu queria ver se ele se lembrava dessas coisas e vê-las ganharem vida. Acho que ele se lembrou.

Qual tem sido a reação de seus fãs?

As pessoas que estão geralmente falando comigo na internet são os fãs, então eles têm muitas coisas positivas a dizer. Creio que a reação tenha sido boa.

Mas minha regra de ouro, em geral e no processo de fazer música, é: independentemente do que os outros esperam de você, é baseado em alguém que você realmente é. E a coisa mais importante para fazer algo é que você está fazendo algo que ama, que é muito verdadeiro para você. Eu gosto disso, sou inspirada por isso e isso faz meu cérebro funcionar, então é isso que vou fazer. Queira as pessoas te sigam ou não nesse nicho específico, isso não me importa.

Eu acho que o importante é que você siga constantemente o seu coração tentando seja lá o que for, apenas siga em frente no caminho que você quer. E eu descobri que geralmente se você faz algo que ama, outra pessoa vai acabar curtindo também. Não somos tão diferentes assim.

Uma música que você fez cover e que certamente não caberia no seu álbum infantil é “Baby Did a Bad, Bad Thing”, do Chris Isaak, e que está no EP Recover, Vol 1.

Essa canção é algo no qual eu estava trabalhando em 2010 quando estávamos fazendo esse álbum que acabou não dando certo. Eu estava trabalhando em algo e não tinha certeza se era solo ou se era do Evanescence, e eu acho que estava tentando descobrir qual era a diferença. E eu descobri, mais ou menos.

Então, a partir daí, surgiu nosso álbum auto-intitulado. Nós levamos um pouquinho mais de tempo para fazê-lo porque meio que fizemos dois álbuns ao mesmo tempo. Mas acabou se tornando nosso CD mais pesado e centrado na banda, e eu amo isso.

Mas temos muitas canções que ficaram de fora e que estão nesse outro mundo e que eu acho que colocarei em minha carreira logo para usar mais pra frente, e uma delas é o cover de “Baby Did a Bad, Bad Thing”. Nós trabalhamos nessa faixa e foi uma loucura, mas tem também essa pegada diferente, eletrônica.

Eu não consigo explicar por completo. Estamos apenas nesse lugar diferente onde era tudo divertido e experimental. Então ela era meio que uma sobra, e eu a tinha quase deixado-a pronta, e eu trabalhei mais um pouquinho nela e joguei por aí.

A essa altura, quem está no Evanescence, além de você, importa?

Eu acho que aprendi que não se trata de quem, mas do quê. O Evanescence é mais do que uma pessoa ou um grupo de pessoas; é um som. Eu não costumava pensar dessa forma, porque apenas o criamos. Mas depois de viver com isso tanto tempo e passar por todas as mudanças que passei, eu ainda sei qual é a essência do som. Então eu acho que estou aprendendo que ou você está dentro desse mundo do Evanescence ou não está.

Você está trabalhando em outro EP de covers?

Estou trabalhando no volume dois do Recover, mas acabei de começar. Vai levar um minuto, porque temos uma porrada de outras coisas acontecendo tudo de uma vez, e isso é ótimo. Mas esse projeto ficou em segundo plano.

O álbum infantil realmente decolou, e eu estive trabalhando criativamente pra isso, e também estivemos fazendo essa coisa do box de vinil do Evanescence com materiais extras que eu gravei, e tem a turnê da banda vindo aí, e tem mais coisas sobre as quais eu ainda não posso falar.

 Você já sabe de quais artistas fará cover?

Sim, já sei. Não vou falar.

Pode me contar pelo menos sobre uma música?

Estou trabalhando em uma canção da Bjork. E isso é algo grande, porque ela é minha artista favorita. Então vou tentar fazer justiça. Se eu não conseguir, vocês nunca escutarão essa música.

Isso é intimidador. Você se preocupa se ela gostaria do resultado final?

Eu me preocupo um pouquinho, sim. Definitivamente. Isso é o que pega sobre os covers: você nunca quer fazer um cover que o cantor original odiaria. Isso partiria meu coração. Ela é maravilhosa, ela é um gênio. Apenas não pergunte para ela o que ela achou dessa canção.

Você curtiu o processo de trabalhar no box set?

Foi muito bacana me reconectar com a história da banda, porque já faz um tempo. Eu estou com 34 anos e acho que começamos a criar músicas para o Evanescence quando eu era, sei lá, adolescente. Então existe muita história, existe muita música. Foi bacana, foi legal ser capaz de escutar o corpo do trabalho e ficar tipo, “Uau, isso é bacana. Eu fiz algo com a minha vida.” E existem coisas super velhas, especialmente coisas que eu não faria hoje em dia. Tipo oh, meu Deus, nós estávamos tentando soar como o Metallica orquestrado, sei lá.

Tenho que ser honesta, eu fiz careta em alguns momentos. Eu ouvia as coisas e fazia careta. Mas, como fã, eu amo isso.

Você ainda é amiga dos antigos membros da banda?

Cada relação diferente é diferente. Então eu nem sei como começar a responder essa pergunta. Tim [McCord], meu baixista, tem estado comigo pelo tempo mais longo agora, e ele começou, tipo, em 2006?

É maravilhoso ter um grupo de pessoas que realmente curtam tocar juntos e realmente querem fazer do show o melhor possível. Nós estamos nos divertindo demais agora, especialmente com essa coisa do box de vinil, e pensando, “O que é que não tocamos há muito tempo? Sobre o quê os fãs estão falando que nós nunca fizemos e que podemos fazer depois de muito tempo e impressioná-los com algo do passado?”

E é realmente bom ter a liberdade de mudar. Eu estou apenas dizendo que acho que, agora, cada membro da banda é um músico realmente forte com uma atitude positiva, então parece que tudo é possível. Tipo, estamos curtindo tocar as músicas do Evanescence, e isso é a melhor coisa.

Você pensa em fazer o próximo álbum do Evanescence?

 Algum dia. [risos]

Para alguém que se tornou tão famosa sendo muito jovem, você sempre pareceu ser bem pé no chão. Como você conseguiu isso?

Uau. Você precisa lembrar das suas raízes. Você precisa ficar conectado às pessoas que realmente importam, sua família e seus amigos de verdade. Pessoas que não vão só te dizer as coisas que você quer ouvir.

Eu meio que fico instantaneamente enojada por pessoas que eu sei que só querem puxar o meu saco. Eu quero um relacionamento real com alguém, já que vamos ser amigos. Então eu criei o hábito de manter ótimas pessoas por perto e de me afastar de pessoas que não são reais. E eu realmente permaneço real. Sei lá. Eu acho que não estou explicando direito.

Em geral, o que é importante para mim não é ser “o mais maravilhoso”. Eu acho que é importante não ser sempre focado em si mesmo, e isso é algo super comum de acontecer nesse trabalho, porque é realmente fácil ir para o Twitter e falar tipo, “Tá legal, quem acha que eu sou bacana?” E eu não sou esse tipo de pessoa. Não curto essas coisas. Então, é, eu encontro meios mais saudáveis de expressar essa energia.

Dream Too Much está disponível exclusivamente na Amazon.

Fonte | Tradução e Adaptação: Equipe ALBR.
Não reproduzir sem os créditos.

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