“Agora eu não quero morrer”, afirma Amy em entrevista a site britânico

O site VICE, do Reino Unido, publicou há uns dias uma entrevista feita com a Amy durante a passagem do Evanescence por Londres na parte europeia da turnê que finalizaram há pouco tempo. Em um papo descontraído com a jornalista Hannah Rose, a vocalista da banda falou sobre programas de calouros da TV, sobre ser super sensível e chorona, sobre vida e morte e sobre como foi sua adolescência. A tradução da matéria pode ser lida abaixo – ou clique aqui para ler a versão original no site do VICE.

VICE: Quando foi a última vez que você disse ‘não’ para algo relacionado a sua carreira?
Amy Lee: Agora mesmo. Essa mulher me perguntou se algum dia eu seria jurada no The X Factor.

Sério? Você entende bastante sobre o The X Factor?
Bem, esses tipos de programas são legais, mas eu preferiria focar em música. Seria muita distração porque eu seria muito pega na parte de celebridade. Não curto essas coisas. Na verdade isso me faz sentir estranha e nervosa. Mas eu amo quando eles cantam minhas canções no The X Factor. Eu gosto mesmo. É um elogio legal e divertido. É como uma máquina de karaokê – já fez isso?

Sim, eu sempre canto suas músicas no karaokê – sempre você ou a Madonna.

Nos primeiros dias da turnê eu realmente estava nessa onda de karaokê. Quando estávamos distantes, achávamos um barzinho local e se encontrássemos ‘Bring Me To Life’ na lista a gente cantava pra ver se alguém perceberia.

Qual seria seu assunto especialista no jogo do Reino Unido ‘Mastermind’?
Legend of Zelda. Eu gosto disso desde quando era adolescente e ainda jogo. Tem um novo jogo lançado, então tô pronta pra quando eu voltar para o ônibus hoje a noite.

Você gostaria de experimentar a morte se fosse garantido que você seria trazida de volta à vida novamente?
Isso é muito interessante, mas não. Não é que eu tenha medo…Você tem filhos?

Não.
Ter um filho te dá medo que você não tinha antes. Agora eu não quero morrer. Não é como se eu quisesse antes; é só que eu coloco muito valor na vida. Você fica mais cuidadoso e percebe a gravidade do que isso significa se algo acontecesse com você. Você se torna um pouquinho mais medroso porque você só quer proteger, proteger. Meu filho é um doce. Ele me ama e eu o amo demais.

Se você pudesse viver em qualquer época, qual período escolheria?
Não sou contra a minha época, mas seria bacana viver em um tempo mais inocente, um tempo sem toda a tecnologia. É difícil porque você não consegue ir muito longe atrás no tempo sem encanamentos…então algum lugar no tempo depois dos encanamentos mas antes dos celulares.

Quanto tempo você gasta com tecnologia?

Demais, mas ainda assim menos do que as pessoas ao meu redor. Eu vejo como parte do trabalho muitas vezes. Eu amo ser capaz de conversar com os nossos fãs, com pessoas diretamente porque costumávamos nunca ter isso. Tínhamos o fã clube ou a impressa ou qualquer coisa, e costumava ser através da voz de outra pessoa, o que é difícil – é sempre entendido de forma diferente da qual você quis dizer.

Como você terminou com a sua primeira namorada ou namorado?

É pra contar aquelas coisinhas pequenas onde qualquer coisa acontecia?

Eu acho que deve pelo menos ter tido um beijo.
Ok, por que terminou? Foi porque eu me mudei. Meu pai estava na rádio, então nos mudamos muito enquanto eu estava na escola. Eu ficava na escola por dois anos e me mudava. Era maluco.

Quantos livros você leu nos últimos 12 meses?
Nenhum. Isso é realmente triste. Quando tempo um tempo extra, eu normalmente subo para o meu estúdio e escrevo música. Eu sei que parece uma droga, mas eu realmente gosto disso e preciso estar criando algo para me sentir calma. Eu não consigo resistir e não fazer algo, mesmo que seja fazer tricô. Quando sentamos na frente da TV, eu faço tricô ou pinto algum daqueles livros para adultos ou jogo vídeo game. É assim que me sinto bem.

Quando na sua vida você foi tomada pelo medo?
Quando meu irmão estava fazendo cirurgia no cérebro; ele tinha 8 anos. Ele tem epilepsia severa, e chegou a um ponto onde ele estava tendo 90 convulsões por dia, então era a cada cinco minutos. Eles decidiram que a única coisa a se fazer era cortar parte disso fora, e tudo foi muito arriscado. Foi uma cirurgia muito longa para um garotinho. Ele era meu melhor amigo. Então minha família e eu apenas sentamos na sala de espera e rezamos e esperamos o dia todo para ele sair da sala de cirurgia. Foi aterrorizante.

Houve um período na sua vida onde você se sentiu completamente destemida?
Totalmente. Quando você está em algum lugar entre os 17 e os 24 anos, você pensa ‘eu posso fazer tudo’, e existe algo bonito nessa destemidez porque você tem a confiança de apenas tentar as coisas. E também, você olha pra trás e percebe como esteve em perigo às vezes.

Você tem algum programa de TV ou filmes que te fazem chorar?
Eu choro o tempo todo. Eu choro além do que é razoável. É realmente deprimente. É bacana ter outra menina na banda agora porque ela chora muito também. Nós duas ficamos engasgadas ao mesmo tempo com coisas estúpidas. Eu não sei ao certo sobre filmes, mas eu realmente, realmente amo a série The Crown. Os americanos a amam. Eu nunca vi uma interpretação da Rainha Elizabeth jovem. Eu chorei com aquilo. Eu choro bastante com filmes infantis também. Eu estava lendo a história do Pinóquio ontem a noite e comecei a chorar. Eu fico muito emocional…caso você ainda não tenha notado isso através da minha música.

De qual momento da sua carreira você se sente mais orgulhosa?
Do show na cerimônia do Prêmio Nobel da Paz em Oslo, Noruega. Nós tocamos ao lado de pessoas que normalmente nunca teríamos tocado de todas as partes do mundo. Foi uma experiência muito poderosa e cheia de amor. Foi algo fino e sério, então tivemos que nos vestir bem.

Qual memória da época de escola se destaca pra você?
Eu acho que eu tinha nove anos. Eu estava tendo aulas de piano em casa há pouco tempo. Nós tínhamos aula de música, e o professor estava nos ensinando como compor música. Era bem simples, tipo, ‘É assim que se faz um quarto de nota. É assim que se faz meia nota’. Para nosso experimento final, todo mundo ganhou um pedaço de papel com oito medidas. Todos precisavam fazer algo, e tinha que encaixar, e o professor disse que tocaria algumas delas. Foi divertido porque algumas pessoas criaram algo tipo [canta alguma coisa fora do tom] e eu estava tipo [canta ‘Brilha, brilha estrelinha’] da melhor forma que eu pude, e ele escolheu e tocou, e eu vi a cara dele mudar conforme percebia que eu tinha feito algo bom. Eu não era uma criança descolada. Eu era meio nerd, então eu fiquei bem orgulhosa de mim mesma. E depois da aula, ele me parou e disse, ‘aquilo foi realmente impressionante’.

Para onde você foi nas primeiras férias que passou com os amigos?
Eu nunca tirei muitas férias. Eu fui para a faculdade por um semestre. Depois nós assinamos um contrato com a gravadora e partimos pro trabalho. Eu amo meu trabalho, e eu tenho que fazer viagens por ele, então os momentos divertidos que tivemos normalmente se misturavam com o trabalho. Tipo agora, nós tivemos duas festas de aniversário diferentes em Londres que foram demais. Nós fazemos festas de aniversário na estrada. Realmente fazemos.

Qual foi o maior período de tempo que já ficou acordada por alguma razão?
A noite toda. Eu apenas esperei até o próximo dia. Já aconteceu algumas vezes. Não faço mais isso; quanto mais velha você fica, mais difícil isso é. Seu corpo apenas desliga. Eu me lembro de fazer isso na faculdade estudando para uma aula de composição teatral. Nós tivemos que tocar todas as escalas no piano de forma correta, e fazer toda a parte técnica, e saber como fazer na hora em que o professor pedir para você. Eu tinha muito trabalho pra fazer e para entender rápido. Eles tinham essas salinhas pequenas de ensaio. Eram mais ou menos do tamanho desse sofá, às vezes nem isso. A sala inteira só cabia o piano. Então eu fui às 6 da tarde, bebi um monte de café e fiquei acordada até o nascer do sol. No final, eu estava tentando me acalmar porque sabia que minha aula era às 8 da amanhã, então eu estava tipo, ‘Eu vou apenas estudar de agora até a aula’, e eu passei.

Qual foi sua pior fase?
A fase mais constrangedora da minha vida foi quando eu tinha mais ou menos 13 anos no Arkansas. Nós tínhamos nos mudado de novo, e foi uma daquelas mudanças onde você não conhece ninguém e era a novidade da escola. Era uma escola privada, e eu tinha saído de uma escola pública; aparentemente, eu não me vestia de modo ‘bacana’. Todo mundo era diferente, e eu me senti alguém de fora. Eu cortei meu cabelo bem curto, e ele costumava ser grosso, então era tipo um cogumelo em cima da minha cabeça, e eu usava aparelho. Quem gosta do corpo e do modo como fala e não acha que tudo é horrível aos 13 anos? Todos nós somos assim.

Originally published by VICE
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