Em entrevista, Amy fala da importância de mulheres que se apoiam

Hoje, dia 12, o site internacional Dazed Digital publicou uma nova entrevista com a Amy. Nela, a vocalista do Evanescence fala um pouco mais sobre “Synthesis”, sobre o processo de criação e regravação de músicas novas e antigas, o quão estranho é visitar o passado e a importância de mulheres sempre se ajudarem e se apoiarem contra a mídia que tenta instalar o caos.

O novo álbum parece algo bem no estilo Björk, aquela mistura de eletrônico com cordas. Não é idêntico, é algo próprio seu, mas é similar.

Amy Lee: Eu sou uma grande fã da Björk, vou tomar isso como um elogio. Eu acho que a diferença possa estar em pegar esse som tradicional do Evanescence que tem momentos indulgentemente dramáticos e épicos. Indo a fundo com eles, às vezes eu sinto que o drama está demasiado ultimamente. Eu acho que parte disso é crescer conforme seu gosto muda. Esse álbum foi uma saída do tipo, ‘Sabe de uma coisa, nós vamos apenas surtar aqui e deixar a orquestra fazer todas as coisas que nós estávamos dando a dica anteriormente e vamos seguir em frente e vamos ser um pouquinho mais clássicos e dramáticos e vamos transformar as partes em piano ainda mais inspiradas em Mozart. Uma coisa antiga maluca.’ Foi realmente divertido, é um projeto divertido. Eu estou ansiosa para reproduzi-lo ao vivo. Eu estou um pouco nervosa, é algo definitivamente diferente e eu estou exigindo um pouco mais de mim mesma e de todo mundo. Mas estou animada.

Porque você decidiu retrabalhar nas músicas antigas no Synthesis?

Amy Lee: Nossa música, desde o começo, sempre teve os elementos de arranjos lindos e intrigados do David Campbell, mas também tem esse outro lado de programação eletrônica que eu realmente amo. Na verdade, grande parte das coisas que eu ouço vem desse mundo. Colocamos tudo lá; as guitarras, a bateria de rock, você passa por todos os níveis diferentes de produção ao ponto que você tem o produto finalizado da canção mas muitas dessas coisas lindas meio que são queimadas. Várias vezes eu já saí do estúdio e desejei ter uma mistura apenas dos arranjos de corda e da programação junto com os vocais, porque há algo bem bonito nisso. Eu acho que esse foi meu pensamento inicial mas que se transformou em uma bola de neve com algo muito maior, porque voltar atrás nisso com o David Campbell, ele rearranjou essas canções de um modo que usa toda a orquestra e a deixa preencher todo esse espaço que não é tomado pela banda inteira o tempo todo.

Então nós começamos do zero com o Will Hunt, o programador e produtor do álbum, que é brilhante em jogar com todos os tipos de samples e sons e teclados para criar esse belíssimo mundo sintético, e então nós casamos isso com o arranjo da orquestra. Eu não sei porquê, mas isso me atiçou. Eu amo nossas canções antigas e eu queria fazer novas também, mas eu apenas queria pirar com uns sons assim agora antes de seguirmos em frente em um novo álbum e uma nova direção. Eu quero tirar um momento com esse catálogo de coisas, mas no final minha canção favorita é a nossa nova música, ‘Imperfection’, então talvez tenha sido tudo em vão para que eu chegasse nessa canção.

É estranho revisitar o lugar que você esteve naquela época?

Amy Lee: Foi realmente bom para mim, eu estou em um lugar saudável em relação a isso. Na verdade foi algo que me ajudou a entrar em um lugar ainda mais saudável em relação à nossa música antiga. Eu amo isso. Quero dizer, nós tocamos essas músicas ao vivo, a maioria delas, durante muito tempo. O show ao vivo sempre me dá a chance de mostrar crescimento mesmo dentro dessas músicas antigas com as quais eu tenho menos conexão hoje em dia. É sempre bacana escutar versões gravadas que são super velhas. Algumas das escolhas que fizemos na produção naquela época eu talvez tivesse sido um pouquinho mais confiante e feito diferente se fosse agora. Todas essas coisinhas eu consigo fazer ao vivo, mas você escuta a gravação antiga e elas ainda estão congeladas no tempo.

Essa é uma oportunidade bacana de pegar essas canções e melhora-las. Eu acho que eu me desenvolvi enquanto vocalista onde eu posso fazer coisas que são mais interessantes, diferente de antes. Ter cantado por tantos anos, naquela época eu ainda era muito jovem. Mas, também quando você compõe uma canção, como por exemplo ‘Bring Me To Life’, nós ainda estávamos fazendo mudanças e nós a escrevemos no mesmo ano em que a lançamos. Quando eu a cantei na gravação, eu ainda estava me acostumando com a melodia e todo o resto nela. Agora, eu vou cantá-la com um tipo diferente de confiança e perspectiva.

Você faz trilhas sonoras também, né?

Amy Lee: Sempre foi um sonho e eu finalmente estou podendo trabalhar nesse mundo, o que tem sido bem divertido. Eu definitivamente ainda tenho muito a aprender mas eu acho que algo importante que aprendi nesse tempo é que colaboração é algo lindo e não há razão para não se sentir orgulhoso em trabalhar com algo ou alguém. É legal estar envolvida em uma trilha sonora porque você está trabalhando para algo que realmente é um nível muito maior de colaboração onde todo mundo está trabalhando junto para criar música para algo que é ainda maior do que o som.

O som em si pode ir em milhões de direções diferentes porque um filme tem duas horas. Você tem que preencher muitas emoções e situações diferentes, então existe muita experimentação e muita gente envolvida para criar isso. Eu amo trabalhar com outras pessoas, eu realmente amo. Eu acho que quando era mais jovem isso era algo mais difícil para mim porque era muito importante eu provar que podia fazer tudo sozinha. Agora eu sinto, ‘Beleza, eu sei o que eu posso fazer, eu provei o que eu posso fazer, e se um dia eu for ficar melhor no que eu faço, isso significa que eu tenho que olhar para fora, e não apenas para dentro.’

Eu acho que, como você era uma mulher muito jovem quando começou, existem mais coisas do que essa necessidade de sempre se provar e provar que você pode fazer tudo sozinha.

Amy Lee: Quanto mais você faz, mais fácil fica. Eu sinto que eu tive muitas experiências boas. Eu já lancei muitas músicas agora, já fiz muitos shows ao vivo. Cheguei ao ponto que sinto, ‘ok, beleza, eu já fiz isso e agora posso experimentar mais’.

Eu lembro que, anos atrás, alguém tentou te colocar contra a Britney em um artigo e você postou dizendo algo como, ‘Não, não faça isso, estamos todas aqui dando nosso melhor’. Foi algo muito bacana. A mídia sempre parece querer criar drama entre cantoras.

Amy Lee: Que é apenas outro esteriótipo de que mulheres são competitivas umas contra as outras e que precisam lutar por atenção. Não é verdade. Eu descobri que preciso de mulheres, preciso das minhas amigas. Especialmente estando em um mundo onde você está rodeada de homens. Tem sido muito bom ter a Jen na banda, nossa nova guitarrista. É a primeira vez que temos outra mulher conosco, eu acho que é bem engraçado esse esteriótipo de que mulheres não podem trabalhar juntas, é algo tão velho e idiota porque é um grande prazer trabalhar com mulheres nessa indústria da música. Eu tenho certeza que você sente o mesmo.

Então eu acho que ter a Jen na banda é legal porque temos um nível diferente de compreensão uma com a outra sobre coisas e porque ela também canta os backing vocals e nós nunca tivemos isso ao vivo. Sempre foi só eu. É bacana ter esse apoio. Nós temos que nos respeitar enquanto artistas. É difícil para todo mundo. Ninguém está por aí ganhando dinheiro sem tentar seu melhor, nós todos trabalhamos pra caramba, damos nosso melhor para dizer algo, seja no pop ou no rock, ou qualquer outro gênero. Você se coloca lá. Você está se abrindo para as críticas de todo mundo e dizendo, ‘Ei, essa sou eu, comecem a atirar as flechas, ataquem!’. Eu acho que reconhecer que estamos todas sob o mesmo microscópio é importante e nós precisamos cuidar umas das outras. E eu tenho muito respeito por qualquer pessoa que se coloca em uma posição que pode o tornar famoso porque isso é complicado. Não é minha parte favorita disso tudo.

Fonte | Tradução e Adaptação: Equipe ALBR.
Source: Dazed Digital. We do not claim this to be ours.

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