Entrevista: Evanescence reunidos

Amy Lee, do Evanescence, está reescrevendo a história no novo disco da banda.

Seu quarto disco, Synthesis, é o oposto de um acústico – em vez disso, Lee regravou o material antigo da banda de uma maneira ainda mais dramática e bombástica, com uma orquestra completa e eletrônico pesado.

Isso incluiu o sucesso de 2003, Bring Me to Life. E tem algo faltando da versão que vocês conhecem – aquele rap, do vocalista convidado Paul McCoy.

“Que Deus abençoe o rap, faz parte do que nos colocou no rádio, eu acho”, diz Lee. “Pelo menos de acordo com todas as regras do rádio que não concordo ou entendo. O rap não fazia parte da nossa ideia original ou som, foi um acordo de muitas formas. Então, ser capaz de voltar a visão original da música foi ótimo”.

Não é incomum para um artista voltar e gravar suas músicas – Lee aceitou ser capaz de revisitar o sucesso registrado da banda após tocá-lo ao vivo em todo show que tocaram desde o seu lançamento.

“A gravação de uma música que acaba sendo aquela que você mais escuta no decorrer da história é geralmente aquela de quando a música foi recém composta.  Você mesmo ainda está aprendendo e se acostumando para como são as notas e como as partes funcionam. Isso é verdade para Bring Me to Life, com certeza. Após tocá-la ao vivo por tanto tempo, há escolhas vocais diferentes que faço e coisas diferentes que usamos  nessa versão”.

E sem rap.

“Eu esqueço que o rap está lá agora, para ser sincera”, diz Lee. “Naquela época, era um grande problema, era o nosso primeiro single. Eu queria que as pessoas entendessem quem éramos. Essa é uma batalha que você sempre luta como artista. Se tivéssemos apenas um sucesso, se ninguém nunca mais ouvisse falar de nós de novo, então ninguém ia entender quem éramos. Passamos esse ponto, então o rap não me deixa mais com raiva. Estou tão feliz que lançamos uma nova versão sem o rap”.

Similarmente, existe uma versão adulta de outro hino do Evanescence, My Immortal – assim como Bring Me to Life, ela foi objeto de inúmeros covers e foi a trilha sonora de memes tristes. Lee confessa que My Immortal quase não entrou em Synthesis.

“As pessoas já ouviram essa muitas vezes. Sou bastante sincera com o fato de que não é uma das minhas músicas favoritas, mas não pude resistir a oportunidade de totalmente regravá-la de novo”.

Apesar da versão da “banda” ter sido gravada para o disco de estreia que vendeu 17 milhões de cópias, Fallen, a maioria dos fãs e das rádios gravitou a versão antiga de My Immortal, que Lee gravou quando adolescente ao se infiltrar no estúdio que seu pai trabalhava depois de horas.

“Odeio aquela versão. Odeio mesmo. É uma demo velha de quando nem tínhamos contrato assinado. Toda vez que escuto, fico irritada, mas essa é a versão que a maioria das pessoas toca. Amo a versão do álbum que fizemos, mas queria fazer uma nova versão para as pessoas saberem onde estou vocalmente aos 35 anos com toda essa experiência que tenho agora. Ao contrário de quando eu tinha 17. É bonita pois é pura e inocente, mas eu ainda estava encontrando minha voz”.

“Quero que essa versão esteja no topo no Spotify, se alguém jogar My Immortal no Google, espero que essa versão venha. Pelo menos por algumas semanas!”

Synthesis é um projeto de paixão para Lee e David Campbell (mais conhecido como o pai do Beck e um dos maiores arranjadores dos Estados Unidos) que trabalhou em todos os discos do Evanescence. “É legal recriar algo que as pessoas não esperam”, diz Lee. “Gosto demais disso, provavelmente. Queria combinar aquele mundo clássico e orquestral e a programação eletrônica – esses dois lados já estiveram em nossa música antes, mas agora é focado nessas duas partes extremas”.

Na época do terceiro disco, autointitulado, em 2011, Lee já tinha passado por maus bocados com o lado comercial do mundo da música. Os membros da banda (incluindo os fundadores e compositores Bem Moody e David Hodges) saíram, havia uma disputa legal com a gravadora que até rejeitou a primeira tentativa de lançar seu terceiro disco.

Lee começou a falar em entrevistas que o Evanescence pudesse estar acabado, começou a fazer trabalho solo e, em 2014, deu à luz seu filho Jack, com o marido Josh Hartzler, a inspiração por trás de Bring Me to Life.

No ano passado, Lee até mesmo lançou um disco infantil com covers de todo tipo desde Rubber Duckie da Vila Sésamo a Hello Goodbye dos Beatles (com Jack nos vocais), o que acabou com sua intensa imagem gótica.

“Eu não diria que eu odiava a banda, mas mais de uma vez tive aquele momento após o fim de uma turnê ou do ciclo de um disco em que dizia. ‘Acho que já chega, não acho que quero fazer mais isso, é muito difícil’”, admite Lee.

“Entre manter todo mundo junto e feliz, toda a política, todas as negociações, toda a porcaria, todas as pessoas tentando tirar vantagens de você — parecia, a maior parte do tempo, que eu tinha que batalhar tanto só para fazer o que queria fazer, que é compor e tocar, aquela luta era um trabalho de tempo integral. Eu subi e desci a montanha algumas vezes na minha vida quando eu ia desistir. Mas eu só disse isso para mim mesma. Não gosto de fazer grandes anúncios, só gosto de saber que tenho a liberdade de, se quiser parar, que seja minha decisão. Em qualquer momento que começo a sentir aqueles pensamentos de marketing tipo, ‘Isso parece inteligente em um sentido comercial’, odeio isso, não consigo fazer. É nojento na minha boca.”

Lee está tão animada com Synthesis que ela planejou uma turnê para o projeto, com o Evanescence tocando com uma orquestra em cada estado.

“Existe uma opção mais cara, que é fazer a turnê com 30 pessoas a mais, mas não estou nesse nível”, brinca Lee.

A cantora também será curadora de um ato de abertura no qual os músicos convidados irão tocar algumas das peças clássicas favoritas de Lee que inspiraram as músicas do Evanescence.

“O que quero fazer é o que quero ouvir de outros artistas e isso é algo real. Não quero que me vendam nada. O tempo todo, o dia todo no meu celular, as pessoas estão tentando me vender coisas. Não quero fazer parte disso. Não quero vender nada, quero dizer algo verdadeiro.

“Se isso significa que tenho que parar por três anos e decidir se haverá outro disco do Evanescence ou algum trabalho solo estranho ou um projeto para um filme, até que seja algo real, então acho que é o certo. Não me sinto assim nesse momento, eu me dei esse espaço, estou realmente apaixonada por esse projeto. Eu pus uma tonelada de trabalho nisso. Estou pronta para mostrar às pessoas para ver o que elas acham disso. E então tentar o melhor para não me importar tanto, pois se não gostarem, ainda irei amar esse projeto e irei me comprometer com ele”.

De fato, após tantos problemas, ano que vem marca os 15 anos desde a ascensão do Evanescence.

“Tenho muito orgulho de quem sou após tudo pelo que passei”, diz Lee. “Passamos por um monte de mudanças, muitas coisas horríveis. Sinto que confio na minha banda. Há um respeito mutual acontecendo, eu não tinha isso no começo. As coisas mudaram muitas vezes — uma luta e mudança constante. O sonho não era mudar, era se firmar, ter uma família e um time. Sinto que estamos nesse lugar agora. Essa é outra razão pela qual me sinto motivada a fazer mais música e sair em turnê. Quando o time não é forte e todo mundo está lutando e isso se torna algo pouco saudável faz tudo parecer difícil. Se não irei ser apoiada, só sairei e farei outra coisa. Não é o que está acontecendo conosco, nós estamos em um bom lugar.”

Fonte: news.com.au

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